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Carta do Gestor – Junho 2024

  • 03/06/2024

No cenário internacional, o mês de maio foi marcado pelo forte avanço das bolsas e pelo resfriamento da atividade econômica dos Estados Unidos, abrindo espaço para mais de um corte de juros em 2024. Na Europa, os sinais de desaceleração econômica arrefeceram e devemos observar o início do ciclo de cortes de juros agora em junho.


Por outro lado, no cenário doméstico, o mês foi extremamente tumultuado. A maior tragédia natural da história do Rio Grande do Sul afetou severamente a economia, porém a magnitude do impacto é constantemente revisada. Além disso, a demissão do presidente da Petrobras gerou ruídos significativos, impactando negativamente o mercado de capitais brasileiro.

Veja a seguir mais detalhes do que aconteceu no cenário econômico no mês de Maio:


Cenário Internacional:

1. Inflação e Atividade nos EUA:

  • O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA para maio mostrou um aumento anual de 3,4%, alinhado com as expectativas dos analistas. Este dado reflete uma desaceleração na taxa de inflação em relação aos meses anteriores, mas ainda destaca a persistência das pressões inflacionárias. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, permaneceu elevado, indicando desafios para o Federal Reserve. (Bloomberg)
  • Já o índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), variou 2,7%, dado positivo e que veio abaixo das expectativas. (Exame)
  • O PIB dos EUA foi novamente revisado para baixo, apontando uma alta de 1,3% e trazendo possibilidades para mais de um corte de juros em 2024​.​​ (Poder360)

2. Perspectiva de Cortes de Juros nos EUA em 2024:

  • O Fed tem mantido sua taxa básica de juros na faixa de 5,25% a 5,50% nos últimos 10 meses e tem sido prejudicado por três meses de inflação e leituras do mercado de trabalho mais fortes do que o esperado de janeiro a março, após números mais encorajadores no quarto trimestre do ano passado. No início deste mês, entretanto, as leituras dos ganhos mensais de empregos em abril e o índice de preços ao consumidor pareceram proporcionar algum alívio para o Fed. Desse modo, o crescimento do emprego nos EUA atingiu o nível mais baixo em seis meses e os preços ao consumidor aumentaram menos do que o esperado.​ (MoneyTimes)​

3. Atividade Econômica na Europa:

  • A recuperação econômica na zona do euro ganhou impulso em maio, de acordo com dados provisórios do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O indicador composto, que agrega dados dos setores de serviços e industrial, atingiu seu maior nível em 12 meses, após subir de 51,7 em abril para 52,3 em maio.
  • No mês, o PMI serviços ficou estável em 53,3, abaixo da projeção de 53,5. O indicador do setor de manufatura avançou de 45,7 para 47,4, atingindo assim o maior patamar em 15 meses e passando a estimativa de 46,2 feita pelos analistas. A pesquisa apurou expansões mais rápidas na atividade empresarial, nas novas encomendas e no emprego neste segundo trimestre, enquanto a confiança empresarial atingiu o máximo dos últimos 27 meses. (InfoMoney)

4. Perspectiva do BCE Cortar Juros em Junho:

  • A dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Isabel Schnabel, afirmou que um corte de juros em junho pode ser apropriado, dependendo dos próximos dados e projeções da zona do euro. Contudo, o cenário atual não garante outra redução em julho e exige postura “cautelosa” até que os dirigentes tenham certeza de que a inflação alcançará a meta de 2% em 2025, alertou. (CNN)


Cenário Doméstico:

1. Impacto da Tragédia no Rio Grande do Sul na Inflação e no PIB:

  • A recente tragédia no Rio Grande do Sul, com enchentes devastadoras, teve um impacto severo na economia local e regional. As enchentes destruíram infraestruturas críticas e afetaram significativamente a produção agrícola, levando a uma perda de safras de soja, milho e arroz. Desse modo, essas perdas irão causar um aumento temporário na inflação, devido à escassez de produtos agrícolas e ao aumento dos preços dos alimentos. Além disso, o impacto negativo no PIB nacional pode ser de 0,2 a 0,3%, com efeitos indiretos em setores como transporte, comércio e serviços.​ (Exame)​

2. Interferência e Demissão do Presidente da Petrobras:

  • O governo federal interferiu na administração da Petrobras, resultando na demissão do presidente da estatal, Jean Paul Prates. Como resultado, após o anúncio as ações da Petrobras caíram 10,57%, refletindo a preocupação dos investidores com a autonomia da empresa e a influência política nas decisões corporativas. Além disso, a mudança na liderança da Petrobras pode impactar a confiança dos investidores e a percepção de risco associado às ações da empresa. Dessa forma, a demissão de Prates é um retrato de como os governantes tratam a maior e mais valiosa empresa do país. Desde 2015, a Petrobras teve nove presidentes, o que dá a média execrável de uma troca de comando a cada ano. De fato, seria difícil imaginar uma companhia privada que resistisse a tanta instabilidade, o que só demonstra a colossal capacidade da petrolífera para sobreviver mesmo diante das recorrentes interferências políticas. (Veja)

3. Decisão do Copom e Perspectivas de Juros:

  • A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que ocorreu no início do mês, terminou com uma decisão dividida entre um corte de 0,25% e 0,50 % na taxa Selic. O resultado foi um corte de 0,25%, reduzindo a taxa para 10,5%. Essa decisão gerou volatilidade no mercado devido à falta de consenso dentro do Comitê. Os diretores que optaram por cortar 0,25% foram indicados pelo antigo presidente, Jair Bolsonaro, enquanto os que optaram por cortar 0,5% foram indicados pelo atual presidente, Lula. Esta divisão, capitaneada pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, trouxe dúvidas sobre a trajetória futura da política monetária. Assim, o temor do mercado é que a diretoria do BC indicada pelo presidente Lula com maioria no Copom a partir de 2025, possa ser mais leniente com a inflação em busca de um ritmo maior de crescimento da economia. (Globo)

4. Desempenho do Ibovespa e dólar:

  • Em maio, o Ibovespa (IBOV) operou na contramão dos mercados internacionais, que registraram alta no mês. O Dow Jones subiu 2,30% e o S&P 500 avançou 4,80%. O IBOV fechou aos 122.098 pontos, com queda de 3,04%. Já o dólar comercial fechou a R$ 5,25, na maior cotação desde 18 de maio de 2024, com alta de 1,08%. A incerteza na condução da política monetária, a volatilidade causada pelas decisões do Copom e fatores políticos internos contribuíram para essa queda. A desvalorização do real e a queda nas ações de empresas-chave como Petrobras também afetaram negativamente o índice. (Poder360)


Reflexões Finais:


Por fim, no mês de maio ficou evidente o ruído interno gerado pela complexidade das dinâmicas econômicas e políticas atuais. Além disso, descolamento dos índices acionários brasileiros e o desempenho do real evidenciam este fato. Em síntese, com tudo mais constante, tendemos a entrar num momento de recuperação e provavelmente presenciaremos uma apreciação dos ativos aqui no Brasil. Enquanto mundo a fora, o foco fica nas decisões dos principais bancos centrais e os eventos geopolíticos que são fundamentais para determinar o rumo dos mercados.

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